| Postado por: Angela Bittencourt Seção: Ações, B3, Banco Central, Bancos, Bancos oficiais, Câmbio, Governo, Investimentos, Mercado de capitais, Reformas

Grupo JBS: Câmara avalia se houve ‘insider’ na compra de ações e dólar

Amanhã, terça-feira, duas comissões permanentes da Câmara dos Deputados vão promover audiência pública para analisar as operações do BNDES na aquisição de ações do Grupo JBS e de dólares pouco antes de tornar-se pública a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores do Grupo JBS, há um mês. 

A Agência Câmara informa que uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou grande prejuízo sofrido pelo banco de fomento com operações de compra de ações e debêntures realizadas pelo grupo industrial após a delação premiada dos irmãos Batista.

“Auditores afirmam que houve ‘cessão graciosa de dinheiro público’ para a empresa, pois o banco de fomento deixou de cobrar recursos a que tinha direito e não fiscalizou a aplicação do dinheiro aportado”, afirma o deputado Victor Mendes (PSD-MA), um dos parlamentares que pediu a realização da audiência.

Além disso, continua o deputado, a JBS teria comprado grande volume de dólares, momentos antes de serem amplamente divulgadas gravações envolvendo Michel Temer.

O parlamentar lembra que isso pode configurar prática de insider trading __ uso de informações privilegiadas na realização de operações no mercado. “Tal conduta está tipificada na Lei 6.385/76“, diz Mendes.

Ainda segundo a Agência Câmara, no dia seguinte à divulgação das declarações dos irmãos Batista, o dólar subiu, beneficiando a operação realizada no dia anterior. “A cotação do mercado disparou 8,15% na maior alta diária em 18 meses”, avalia o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), que apresentou requerimento para ouvir o presidente da Bovespa. “Há denúncias de que o grupo [JBS] teria faturado R$ 700 milhões com a alta do dólar e a queda na Bolsa de Valores.”

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acompanha operações realizadas na Bovespa, por isso, o presidente da instituição é um dos convidados para participar da audiência. O presidente do Banco Central também foi convidado, já que cabe à a instituição supervisionar as atividades das instituições financeiras.

No último dia 9, a Polícia Federal deflagrou a Operação Tendão de Aquiles para apurar se houve uso indevido de informações privilegiadas por parte das empresas do grupo JBS. A ação é coordenada com a Comissão de Valores Mobiliários. 

A JBS afirma que todas as operações de compra e venda de moedas, ações e títulos, seguem a regulamentação do setor. 

Foram convidados para participar da audiência:

- os donos do grupo J&F Joesley e Wesley Batista;

- o presidente da CVM, Leonardo Porciúncula Pereira;

- o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn;

- o presidente da B3 (BM&F Bovespa), Gilson Finkelsztain;

- o presidente-interino do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gilvandro Vasconcelos de Araújo;

- o ministro-substituto do TCU Augusto Sherman Cavalcanti;

- o secretário da Receita Federal, Jorge Antonio Rachid; e

- o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues.

A audiência, que tem o apoio do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), será realizada no plenário 9 a partir das 14 horas.

A Agência Câmara informa que a audiência pública será interativa. Os cidadãos podem participar enviando perguntas e comentários pelo portal e-Democracia.