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FHC diz que há ‘operação abafa’ contra a Lava-Jato

Por Fernando Taquari | Valor

SÃO PAULO  -  Em linha com o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu nesta quinta-feira a existência de uma “operação abafa” contra a Operação Lava-Jato. O tucano participou nesta noite de um debate, na capital paulista, promovido pelo escritório de arquitetura Athié Wohnrath. Apesar da declaração, FHC frisou que essas tentativas não devem prosperar diante do trabalho dos investigadores, Judiciário e imprensa.

Na semana passada, após a Câmara rejeitar a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer, Barroso afirmou que a “operação abafa” contra a corrupção é uma realidade ostensiva. No debate, ao ser questionado pelo mediador, Carlos Alberto Sardenberg, FHC não titubeou: “Você tem alguma dúvida” [da operação abafa]? indagou na sequência. “Há tentativas de abafar, mas dificilmente vão ter sucesso”, acrescentou.

O tucano voltou a repetir que se estivesse no lugar de Temer anteciparia as eleições. “Um país do porte do Brasil não pode se dar ao luxo de trocar de presidente a cada seis meses. Se eu estivesse no lugar dele, ainda bem que não estou, porque é horrível, anteciparia as eleições para ter mais aceitação da sociedade. Se ele acha que não tem que fazer isso, temos que ir para 2018”, disse.

De acordo com o ex-presidente, o Brasil precisa de candidato para sucessão ao Planalto no ano que tenha capacidade de encarnar uma mensagem, e não apenas ter uma ideia.

“O que a gente precisa hoje é de uma mensagem de coesão. E de alguém que seja capaz de fulanizar essa mensagem, alguém que não seja exclusivista. Agora, se as pessoas vão acreditar nessa mensagem? Não sei”. FHC ainda ressaltou que a crise de representatividade na política não é uma exclusividade do Brasil. Como exemplo, citou as eleições nos Estados Unidos e na França, além do referendo que resultou no Brexit, no Reino Unido.