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'Não haverá aumento', reforça Temer sobre alíquota do IR

Por Francisco Góes e Rodrigo Polito | Valor

RIO  -  (Atualizada às 12h06) O presidente Michel Temer (PMDB) negou nesta quarta-feira que o governo estude aumentar a alíquota do Imposto de Renda. “Ontem se falava que iríamos aumentar alíquotas sobre Imposto de Renda. Não é verdade. Não haverá aumento”, afirmou Temer, durante o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio.

Ontem, em São Paulo, o presidente reconheceu, em entrevista, que os ministros da área econômica realizam estudos para elevar a alíquota do Imposto de Renda para pessoas físicas. Questionado se o governo considera um aumento da alíquota do IR, Temer, na terça-feira, respondeu: “Esse é um dos estudos que está sendo feito.”

No início da noite de ontem, porém, em nota, o Palácio do Planalto negou que encaminhará proposta sobre o assunto ao Congresso. Hoje, na faixa de maior renda, as pessoas pagam 27,5% de IR, e a ideia seria elevar esse percentual para até 35%.

Confiança

Temer disse nesta quarta no Rio também que o governo tem a preocupação de informar a sociedade sobre a situação das contas públicas. “Daí a medida do teto dos gastos públicos." O presidente afirmou que seu objetivo é retomar a confiança da sociedade. “É isso que estamos fazendo”, disse. “Estamos procurando que a sociedade brasileira dê fiança ao nosso governo.”

De acordo com o presidente, a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 9,25%, pode estar em 7,5% até o fim do ano. “A inflação está de novo sob controle”, disse.

Ele ressaltou que, com a agenda de reformas, “o desemprego cairá ainda mais”. Ele lembrou que já houve a primeira queda no desemprego desde 2014.

Para Temer, se até o fim do ano, tiverem sido concluídas as reformas da Previdência, tributária e política, o país terá um 2018 mais próspero. Ele reconheceu não ter sido fácil aprovar a reforma do teto dos gastos públicos e voltou a defender que seu governo tem adotado medidas importantes, de retorno no longo prazo.

“O que todos os governantes gostariam era gastar. Seria muito confortável eu dizer ‘vamos gastar’. Ao invés de fazer medidas populares, que têm retornos no futuro, eu faria medidas populistas”, de resultado de curto prazo, disse ele.

No evento, Temer declarou que  não se vence “o atraso de mais de uma década da noite para o dia”, em relação ao período anterior ao que assumiu o governo. Há pouco mais de um ano “traçamos caminho para recolocar o país nos trilhos”, disse. “Desde então vencemos problemas um a um que comprometiam o futuro dos brasileiros, gastos descontrolados, juros elevados, inflação em alta, regras irracionais e desemprego alarmante.”

Comércio

Temer lembrou ainda que o comércio exterior bateu recorde histórico, de mais de US$ 40 bilhões de superávit. Segundo ele, o aumento das exportações e importações refletem a retomada do crescimento.

“São conquistas que resultam de correção de rumo, do dinamismo da sociedade, da determinação de fazer o que deve ser feito, de país que não se deixa abater.”

O presidente afirmou também que o Mercosul fará o possível para fechar acordo definitivo com a União Europeia. O Brasil tem a presidência temporária do bloco. “Estamos incentivando diálogo com parceiros de peso. Tudo isso tem sido possível em face das reformas que estamos fazendo”, disse.

Para uma plateia de especialistas de comércio exterior, Temer disse que todos os segmentos do Brasil têm competitividade necessária para chegar a qualquer mercado internacional.

Vaias

No fim do discurso, parte da plateia, formada por número considerável de estudantes de relações internacionais, vaiou o presidente e gritou “Fora, Temer”. Houve também aplausos.