Em relatório sobre Temer PF diz que houve corrupção e pede mais prazo

Por Luísa Martins e Murillo Camarotto | Valor

BRASÍLIA  -  (Atualizada às 21h27) A Polícia Federal (PF) enviou nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma versão parcial do inquérito policial referente às investigações contra o presidente Michel Temer. O relatório do inquérito é "conclusivo" para a prática do crime de corrupção passiva. 

Além de Temer, é alvo do inquérito o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), preso na carceragem da PF em Brasília. A investigação vai amparar a denúncia contra Temer, que será apresentada na próxima semana pela Procuradoria-Geral da República (PGR). 

O trecho do relatório que trata do crime de obstrução de justiça não foi concluído porque, segundo a PF, depende exclusivamente do resultado da perícia nos áudios gravados pelo empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS.

O documento, ainda não disponível, trata apenas dos possíveis crimes de corrupção passiva e organização criminosa. A PF solicitou ao Supremo a concessão de mais prazo para concluir as pendências.

Temer e Loures são alvos de inquérito no STF aberto com base nas delações de executivos da JBS. Em gravação atualmente sob perícia na PF, Temer incentiva Joesley a manter um bom relacionamento com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o que foi interpretado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como pagamento de propina. Cunha está preso em Curitiba e foi condenado há 15 anos.

No áudio, Temer também concorda com o fato de Joesley subornar um procurador em troca de informações sigilosas de operações policiais em que a JBS é investigada.

Já Loures, preso na carceragem da PF em Brasília, foi filmado correndo com uma mala contendo R$ 500 mil, recursos indevidos pagos também pela JBS.

O relator da Operação Lava-Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, ainda não decidiu se concede o prazo extra.

Contra o arquivamento

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, manifestou-se de forma contrária ao arquivamento do inquérito contra Temer. A solicitação havia sido feita pela defesa do pemedebista, que considerou não haver "elementos probatórios mínimos" que justificassem o prosseguimento das investigações.

"A despeito dos respeitáveis argumentos ofertados pela defesa do requerente (Temer), o pleito não merece acolhimento", diz Janot no ofício enviado ao Supremo. Para o procurador-geral, é preciso esperar a conclusão do inquérito policial contra o pemedebista antes de tomar ou não essa decisão.

Janot lembra que, após concluído o inquérito policial, a PGR tem cinco dias para oferecer a denúncia ou requerer o arquivamento, não sendo cabível uma decisão antes desta etapa. "A Procuradoria-Geral da República aguardará o recebimento das peças de informação para analisá-las, juntamente com os argumentos aqui expedidos", afirma, no documento encaminhado a Fachin.