Conselho do Senado vai esperar STF antes de analisar cassação de Aécio

Por Vandson Lima | Valor

BRASÍLIA  -  O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), recebeu nesta segunda-feira representação contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), feita pelo Rede e pelo Psol. Ele já sinalizou, no entanto, que vai aguardar o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para esta terça-feira, para definir se aceita ou derruba a denúncia.

A corte irá decidir, de um lado, sobre o pedido de prisão feito pela Procuradoria Geral da República (PGR) e, de outro, o agravo que Aécio ajuizou para tentar retomar suas atividades legislativas.

João Alberto tem até cinco dias úteis, a contar de amanhã, para dar seu veredicto - ou seja, até a próxima segunda-feira. Ele fez questão de reiterar aos repórteres que não será levado pela pressão popular. Caso considere a denúncia fraca, vai usar da prerrogativa de presidente e mandá-la ao arquivo. "Se eu fosse ficar ouvindo 'beba Coca-Cola, beba Cola-Cola' e bebesse, estaria com a barriga cheia de Coca. Não tenho mais idade para aceitar pressão", afirmou o senador, de 81 anos.

O parlamentar mostrou resistência em condenar o colega de Senado. "É interessante ver como os julgadores [do STF] vão se posicionar. Aécio diz que as fitas [gravações de conversas do tucano com Joesley Batista, da JBS] foram editadas, é armação".

Se o STF determinar a prisão de Aécio, o Senado precisa confirmar ou rejeitar a decisão em 24 horas, com votação aberta e por maioria absoluta (41 senadores).

João Alberto dá a entender que, se o STF derrubar o pedido de prisão do tucano, ele tende e arquivar a representação. Pelas regras do Conselho de Ética, o presidente do Conselho tem essa prerrogativa.: "Se eu achar que não é convincente [a acusação], tomo a decisão [de arquivar] sozinho."