Doria diz que não é 'candidato a nada', mas adota tom de campanha

Por Cristian Klein | Valor

RIO  -  (Atualizada às 16h41) Em almoço com empresários no hotel Copacabana Palace, no Rio, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta segunda-feira que não é "candidato a nada, a governador, a presidente", mas adotou um discurso virulento contra o PT, no ápice da fala na qual fez um balanço de sua gestão, iniciada em janeiro.

Doria disse que estava bem na iniciativa privada e só entrou na política para mostrar aos seus três filhos que não ficaria de braços cruzados depois de "13 anos de PT que aniquilaram o país".

Mais uma vez, ele centrou bateria contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Considerou "inacreditável" o petista ter declarado que o país precisa do PT, depois da divulgação da delação da JBS, que jogou o presidente Michel Temer no epicentro da Operação Lava-Jato. "O PT ensinou a roubar", afirmou.

O tucano disse também que tem autoridade para falar de corrupção, porque disse não ter recebido "ajuda da JBS" ou de construtoras.

Num mote repetido em vários momentos do discurso e da sessão de perguntas da plateia, Doria afirmou não se importar com a opinião de "istas", seja de petistas, especialistas e até jornalistas. "Não quero ser querido pelo PT, pelos extremistas, mas sobretudo pelos mais humildes, o povo", afirmou o prefeito, cotado para concorrer na eleição presidencial de 2018.

Apoio 

O prefeito de São Paulo defendeu o apoio de seu partido ao governo Temer, mas disse que o aval "não é interminável". "A proteção é ao país. Até o limite do possível. É um cheque em branco? Não. É um aval interminável? Não. É um apoio incontinente? Não", disse.

Doria afirmou que "enquanto não se provar clara e cabalmente a culpa [de Temer] pelo que está sendo indiciado, investigado", o PSDB deve permanecer na base aliada. "Não podemos, a meu ver, tomar uma decisão de desembarcar do governo e deixar o Brasil ao léu", afirmou.

Os tucanos estão mais fortemente divididos quanto à permanência no governo desde a divulgação da delação da JBS, que acusa Temer de receber propina. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu na semana passada a realização de eleições gerais, o que requer mudança na Constituição.

Doria disse que a aprovação de uma emenda pelo Congresso demoraria até setembro e que é melhor suportar a atual situação até que haja evidência contrária. Ele lembrou que defendeu em entrevista à BBC, na sexta-feira, que "entre o ruim e o péssimo, o ruim é melhor que o péssimo".

"Precisamos ter uma visão pragmática dessas coisas, não só impulsiva em termos partidários, embora seja legítimo o PSDB defender seus interesses preservacionistas da legenda. Antes de pensar no partido, penso no país", disse. O principal receio dos tucanos é que a imagem do partido fique contaminada pelos escândalos do governo Temer e a candidatura presidencial da sigla em 2018.

Doria voltou a negar que seja candidato ao Planalto, mas sempre deixando uma porta aberta, ao afirmar que ainda não é o momento de discutir a questão. Em sua opinião, se o PSDB se retirar do ministério Temer, isso comprometerá a aprovação de reformas e "a situação de debacle pode se intensificar fortemente".