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Cármen Lúcia diz não se apavorar "nem um pouco" com a crise

Por André Ramalho | Valor

RIO  -  A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, disse nesta segunda-feira (19) que a palavra crise não a "apavora nem um pouco". 

Em discurso no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), a ministra defendeu que o momento do país exige que as instituições se repensem, para darem a "melhor resposta aos cidadãos".

"Não me apavora nem um pouco a palavra crise, porque precisamos discutir o que é crise. Há duas formas de se ver crise: ou a crise é um desequilíbrio momentâneo ou a crise é uma ruptura ao final de um processo evolutivo. Acaba-se um modelo e vem um outro modelo", disse. "E neste momento em que já acabou o velho e não se começou o novo a ideia a se saber é que crise é essa que estamos vivendo. Vivemos um Brasil em crise, um mundo em crise, as instituições todas estão precisando se repensar para dar a melhor resposta que o cidadão espera do Estado", acrescentou Cármen Lúcia, ao discursar sobre as respostas do Judiciário à promoção da paz.

Ao final de sua fala, durante a conferência "Brasil para a paz", ao lado de magistrados e lideranças religiosas no Rio de Janeiro, a ministra afirmou ainda que seu sonho para o Brasil "é muito maior do que aquilo" que tem feito, mas que o seu trabalho está "no limite" de sua "humanidade".

"Falo como juíza. O Brasil que eu sonho é muito maior do que aquilo que eu tenho sido capaz de colaborar para fazer, mas eu acordo todo dia querendo ser melhor para fazer o melhor para o Brasil. O que eu não dou conta é no limite da minha humanidade. Nunca foi por falta de humanidade, que eu acho que sobra muito no poder Judiciário brasileiro, principalmente na sociedade brasileira", disse.

Ao final de sua apresentação, um grupo de seis pessoas se manifestou no auditório lotado do TJ-RJ, pedindo a Carmen Lucia que anulasse o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), afastada do poder há um ano. Um dos manifestantes, aos gritos de "Anule o Golpe", chegou a ser retirado do salão pela segurança.

Durante seu discurso, a ministra apresentou medidas do Judiciário para aperfeiçoar o processo criminal do país. E citou, como exemplo, o lançamento de um banco de dados nacional de mandados de prisão, para dar maior transparência ao processo de condenação, e o lançamento de associações de proteção e assistência aos condenados (Apac) para ressocialização de menores de idade.

(André Ramalho | Valor)