Incêndio florestal deixa pelo menos 62 mortos em Portugal

Por Agência O Globo

LISBOA  -  (Atualizada às 3h01 de segunda-feira) Um incêndio iniciado na fim da tarde de sábado, no município de Pedrogão Grande, na região central de Portugal, provocou a morte de ao menos 62 pessoas, informaram as autoridades na manhã deste domingo. O número de feridos chega a 57, neste que pode ser o pior incêndio florestal da história do país.

De acordo com o “Jornal de Notícias”, as primeiras vítimas que foram identificadas são Rodrigo Rosário, de apenas quatro anos, e seu tio, Sidel Belchior, de 37 anos. O jornal português conta que Sidel e Rodrigo tentaram escapar das chamas, mas sofreram um acidente na estrada. Os carros batidos foram atingidos por uma árvore em chamas, mas os dois ainda conseguiram sair, assim como o condutor do outro veículo, mas os três foram apanhados pelo fogo. 

De acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Vila Facaia, José Henriques, ao menos outras três crianças morreram no incêndio, sendo duas delas aparentando cinco ou seis anos. Em Mó Pequena uma menina de 4 anos, identificada apenas como Bianca, morreu junto com a avó. Na mesma aldeia, uma senhora de 82 anos morreu após contrariar conselhos dos vizinhos e não abandonar a casa, que foi consumida pelas chamas. No vilarejo de Sardezas de São Pedro, um grupo com sete ou oito pessoas foi apanhado pelo fogo enquanto tentava fugir a pé. Os moradores que ficaram em casa conseguiram sobreviver. 

"A prioridade agora é salvar as pessoas que podem seguir em perigo", declarou o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que acompanha o desenrolar do incêndio da sede da Defesa Civil, em Lisboa. "Infelizmente, esta é sem dúvida a pior tragédia que vivemos nos últimos anos em termos de incêndios florestais", concluiu, ressaltando que é possível que existam "mais vítimas fatais".

Um total de 692 bombeiros, com 224 veículos e dois aviões, foram enviados para o combate às chamas que começaram por volta das 14h de sábado, numa localidade de Pedrogão Grande, a 200 quilômetros de Lisboa, no distrito de Leiria. Segundo o Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, o fogo "segue avançando em quatro frentes, duas delas com grande violência". Gomes informou que muitas das vítimas foram calcinadas dentro de seus veículos enquanto circulavam por uma estrada. "É difícil dizer se estavam fugindo do fogo ou foram surpreendidos por ele", disse o secretário.

"É um verdadeiro inferno, nós nunca vimos algo parecido", disse o prefeito de Pedrogão Grande, Valdemar Alves. Ao menos 20 vilas foram afetadas. Em uma delas, Nodeirinho, 11 moradores morreram, informou a televisão estatal RTP, com imagens de carros e casas destruídas pelo fogo. Em choque, moradores contaram sobre uma família que estava tentando fugir, mas o carro foi pego por um “tornado de chamas”. Por questões de segurança, seis estradas que cortam os distritos de Leiria, Coimbra e Vila Real foram fechadas, informou a Guarda Nacional Republicana, ao jornal local “Público”.

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O diretor da Polícia Judiciária de Portugal (PJ), Almeida Rodrigues, afirmou neste domingo à agência Lusa que o incêndio não foi criminoso. A explicação mais provável é que um raio tenha dado início ao fogo, que se alastrou por florestas de eucaliptos. "A PJ conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para causas naturais", explicou Rodrigues. —"Inclusive encontramos a árvore que foi atingida por um raio." Segundo as investigações preliminares, o ponto de início do incêndio foi em Escalos Fundeiros, município em Pedrogão Grande. Segundo as autoridades, o vento e o tempo seco facilitaram que as chamas se alastrassem para as cidades vizinhas de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, viajou à zona atingida para prestar suas condolências às famílias das vítimas. Ele destacou o trabalho dos bombeiros, “que fazem o máximo possível” diante das difíceis condições.

Solidariedade internacional

Diversos países lamentaram a tragédia e ofereceram ajuda no combate às chamas, que continuam fora de controle. O diretor de Ajuda Humanitária da Comissão Europeia, Christos Stylianides, afirmou que o bloco europeu está “pronto para ajudar” Portugal, e destacou a coragem dos bombeiros e dos serviços de emergência que estão no local. “Tudo será feito para apoiar as autoridades e o povo de Portugal neste momento de necessidade”, afirmou Stylianides, em comunicado.

Pelo Twitter, o presidente da França, Emmanuel Macron, expressou “solidariedade com Portugal, atingido por incêndio terrível”. Os primeiros-ministros da Espanha, Mariano Rajoy, e da Alemanha, Angela Merkel, telefonaram na manhã deste domingo para o primeiro-ministro português, António Costa. Mensagens foram recebidas do presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, do comissário europeu Carlos Moedas, do primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, e do Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.