Trump admite estar sendo investigado por demissão de chefe do FBI

Por Toluse Olorunnipa | Bloomberg

O presidente Donald Trump criticou o funcionário do Departamento de Justiça que supervisiona a investigação sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições americanas e reconheceu que a demissão de James Comey do cargo de diretor do FBI é um foco da investigação.

"Estou sendo investigado por demitir o diretor do FBI pelo homem que me disse para demitir o diretor do FBI", disse Trump no Twitter. "Caça às bruxas (Witch Hunt)". A postagem marcou a primeira vez que Trump reconheceu publicamente que está sob investigação.

O vice-procurador-geral, Rod Rosenstein, escreveu um memorando que Trump citou inicialmente como seu motivo para justificar a demissão de Comey, que agora está sendo investigada pelo conselheiro especial Robert Mueller. Mueller foi nomeado por Rosenstein.

Para complicar a situação, Rosenstein disse a colegas que ele poderia ter de se retirar do caso por causa do memorando, medida que deslocaria a responsabilidade de supervisionar Mueller para a procuradora-geral associada Rachel Brand, terceira na linha do Departamento de Justiça. 

Investigação ampliada

Trump disparou o tweet depois que a investigação sobre a sua conduta se ampliou e a Casa Branca e seus aliados estão aumentando os ataques contra o conselheiro especial. A mensagem mostra que Trump rejeita o conselho dos líderes republicanos do Congresso para moderar sua retórica nas mídias sociais.

Embora funcionários do governo tenham tentado, no início desta semana, combater a especulação de que Trump poderia tentar demitir Mueller, as críticas ao conselheiro feitas pelo grupo próximo ao presidente levaram congressistas republicanos e democratas a alertar Trump contra isso.

Notícias publicadas nesta semana informaram que Mueller expandiu sua pesquisa sobre a intromissão russa nas eleições de 2016 e planeja perguntar a funcionários da inteligência se Trump tentou impedir uma investigação do FBI sobre seu antigo conselheiro de segurança nacional, Michael Flynn. Essas notícias, confirmados pela Bloomberg com três pessoas familiarizadas com o assunto, sugerem um possível processo contra Trump por obstrução de justiça.

O Washington Post informou que Mueller também está examinando as finanças e os negócios do consultor da Casa Branca e genro do Trump, Jared Kushner, como parte da investigação.